segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Sonhar, sem investir, é delírio.

* José Osório Naves
A presente história mundial mostra que um dos principais fatores de desenvolvimento econômico e social vem através do turismo. Atividade não poluente que gera 2 em cada 10 empregos, mais que a construção civil, e cuja realidade tem tirado nações do estado de grande pobreza, para considerável aumento de seu PIB. Melhor exemplo é Portugal, que reverteu seu status econômico, através desses serviços, em curto espaço de tempo. Recentemente um Presidente da República do Brasil se encantou com a beleza e a qualidade de uma das principais atrações turísticas do México. Falou belos e aplaudidos discursos. Idealizou transformar uma conhecida ilha brasileira em um novo Cancun. Até anunciou desapropriar essa ilha para cumprir seu idealizado projeto (“tenho a Caneta na mão e por isso posso tudo” - disse à época). Seria a salvação econômica do Brasil. Quando acordou para a realidade não falou mais nisso e os aplausos cessaram. Na verdade, entre o sonho e a realidade existe um grande fator chamado investimento, base de tudo. Devem ter informado a esse Governante que o México, para manter Cancun e suas demais atrações turísticas, dispõe anualmente de 450 milhões de dólares é em retorno mais de 4 bilhões. O Brasil dispunha, na época da declaração, tão somente 17 milhões de dólares para sua promoção internacional e com esse mesmo orçamento prossegue. O Brasil é o país sul-americano que menos investe na estrutura e promoção turísticas. Por isso amarga a quinta posição entre seus parceiros de continente no receptivo internacional, ou seja, apenas 20% desse fluxo. A recíproca é sempre na mesma proporção do que se gasta. O Peru, por exemplo investe 75 milhões de dólares em sua promoção/ano e nos últimos 10 anos teve um aumento de 25% em seu receptivo estrangeiro. O Chile, a Argentina e o Uruguai e a Colômbia gastam média de 45 milhões de dólares e por isso disparam à nossa frente. É bom saber que, desde a criação da Embratur, pelo Governo Militar em 1966, nosso percentual receptivo do turismo mundial caiu 2 pontos percentuais, nessas 6 décadas. Naquela época recebíamos 3 milhões e 500 mil turistas, num universo de 600 milhões de viajantes pelo mundo. Hoje, 1 bilhão e 400 milhões de pessoas giram pela terra e nós recebemos 6 milhões e 500 mil turistas. Faça a conta. O Uruguai tem 3 milhões e 500 mil habitantes. No ano passado recebeu 3 milhões e 500 mil turistas, sem qualquer propaganda ou apelo promocional, fruto simplesmente de seus cassinos. O mesmo aconteceu com a Cidade-Estado mais moderna do mundo, Singapura. Há 10 anos recebia 6 milhões de visitantes estrangeiros e esse volume saltou para 18 milhões de pessoas, em uma década. O que será que falta ao Brasil crescer? Turismo é fator econômico. Por isso só responde aos incentivos de investimentos. E investir não é apenas gastar em marketing promocional, esse é tão somente uma estratégia para justificar despesas. O verdadeiro marketing que funciona é o espontâneo, o boca-a-boca do Vi, Gostei e Recomendei. O que deve ter primazia é na arrumação de casa para bem receber os visitantes internacionais, dar informações precisas sobre a infraestrutura urbana, conservação de bens públicos, qualificar serviços, sinalização e conforto urbano. Depois, convidar os ilustres visitantes internacionais para adentrarem nossas portas. Só isso!

José Osório Naves é jornalista e assessor de comunicação da Cntur - Confederação Nacional de Turismo

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