O turismo brasileiro está crescendo, gerando empregos e movimentando a economia. Ao mesmo tempo, empresas de turismo, meios de hospedagem, gastronomia, eventos, lazer e recreação enfrentam um desafio: encontrar profissionais preparados para atender às necessidades de um mercado cada vez mais competitivo e especializado.
Dados do Ministério do Turismo (MTur), com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), mostram que as atividades características do turismo registraram aproximadamente 2,3 milhões de empregos formais em 2024. O número representa crescimento de quase 10% em relação a 2022, quando o setor tinha cerca de 2,1 milhões de empregos formais.
Esses números incluem atividades como hospedagem, alimentação, agências de viagens, transporte de passageiros, aluguel de veículos, cultura, lazer e recreação. O crescimento demonstra a importância do turismo para a geração de emprego, mas também aumenta a necessidade de trabalhadores qualificados.
Cresce o emprego, cresce a necessidade de qualificação - Ter vagas disponíveis não significa, necessariamente, encontrar profissionais preparados para ocupá-las. Hotéis, pousadas, restaurantes, empresas de eventos, agências de viagens e equipamentos de lazer precisam de trabalhadores com conhecimentos específicos.
O IBGE, por meio da PNAD Contínua, registrou crescimento da ocupação no setor de alojamento e alimentação. No trimestre encerrado em dezembro de 2024, o número de pessoas ocupadas nesse segmento cresceu 3,9%, o equivalente a mais de 214 mil pessoas, em comparação com o trimestre anterior.
Mesmo assim, muitas empresas têm dificuldade para encontrar profissionais preparados para funções que exigem conhecimento técnico, bom atendimento, gestão, gastronomia, operação hoteleira, organização de eventos, uso de tecnologias, idiomas e conhecimento dos destinos turísticos.
Um hotel, por exemplo, não precisa apenas contratar pessoas. Precisa de recepcionistas capacitados, profissionais de reservas, cozinheiros, garçons, camareiras, supervisores e gestores. O mesmo ocorre com restaurantes, empresas de eventos, parques, atrações turísticas e agências de viagens.
Por isso, o desafio não é apenas gerar empregos. É preparar pessoas para ocupar essas oportunidades e crescer profissionalmente.
Um setor grande exige uma política de qualificação à altura - O Ministério do Turismo mantém programas de qualificação profissional. No período do PPA 2020–2023, a meta inicial era qualificar 34 mil pessoas, e o resultado informado foi de 54.746 pessoas qualificadas. Para o período de 2024–2027, a meta estabelecida é de 46 mil pessoas, sendo 7 mil pessoas em 2026.
Os resultados demonstram a importância das ações já realizadas, mas os números também revelam a dimensão do desafio. Quando comparada a um universo de aproximadamente 2,3 milhões de empregos formais, a qualificação precisa alcançar uma escala ainda maior e funcionar de forma permanente.
O turismo está presente em praticamente todos os municípios brasileiros. Por isso, a formação profissional não pode depender apenas de cursos isolados ou ações temporárias. É necessário um sistema nacional capaz de oferecer capacitação contínua, atualizada e próxima das necessidades das empresas e dos trabalhadores.
SENATUR: uma proposta para enfrentar a carência de mão de obra qualificada - É nesse cenário que surge a proposta de criação do SENATUR – Serviço Nacional de Aprendizagem do Turismo.
A proposta defendida pela CNTur – Confederação Nacional do Turismo é criar uma instituição voltada exclusivamente para a formação, capacitação e aperfeiçoamento profissional dos trabalhadores dos setores de turismo, hospedagem, gastronomia, eventos, lazer e recreação.
A ideia é criar uma estrutura nacional permanente, seguindo a lógica dos serviços de aprendizagem existentes no Brasil, mas dedicada às necessidades específicas do turismo.
O SENATUR poderia oferecer cursos técnicos, qualificação profissional, atualização de trabalhadores, formação de jovens, capacitação empresarial e programas voltados às novas exigências do mercado.
Entre as áreas prioritárias estariam:
- atendimento e experiência do turista;
- gestão de hotéis, pousadas e outros meios de
hospedagem;
- gastronomia e serviços de alimentação;
- organização e produção de eventos;
- lazer e recreação;
- operação e comercialização de produtos
turísticos;
- tecnologia e transformação digital;
- sustentabilidade e acessibilidade;
- idiomas;
- gestão e empreendedorismo.
Congresso Nacional e Governo Federal precisam transformar a proposta em política pública - A criação do SENATUR depende da aprovação de um modelo legal adequado pelo Congresso Nacional, com a participação do Poder Executivo Federal.
O projeto deverá estabelecer claramente sua forma de funcionamento, fontes de financiamento, regras de gestão, fiscalização e metas de resultados. Também deverá garantir transparência e prestação de contas, permitindo à sociedade acompanhar a aplicação dos recursos e os resultados alcançados.
A proposta prevê que o SENATUR seja gerido pela CNTur, entidade confederativa de representação patronal do turismo. A CNTur sustenta que decisões judiciais do Supremo Tribunal Federal reconheceram sua representação confederativa no âmbito do turismo, questão que deverá ser apresentada com a indicação precisa do processo e do acórdão correspondente.
O debate também deve considerar a eficiência dos recursos destinados à formação profissional. Todo recurso aplicado nessa área precisa produzir resultados concretos: mais trabalhadores qualificados, melhores oportunidades de emprego, aumento da produtividade e melhoria da qualidade dos serviços.
O tamanho do desafio e a oportunidade
Os números mostram a dimensão da tarefa.
Entre 2022 e 2024, o número de empregos formais nas atividades características
do turismo cresceu de aproximadamente 2,1 milhões para 2,3 milhões. Ao
mesmo tempo, o setor continua precisando de profissionais preparados para
acompanhar seu crescimento.
Para os defensores da proposta, a criação do SENATUR é a solução para enfrentar esse problema de forma estruturada. A intenção é criar uma política permanente de qualificação, capaz de atender desde os grandes centros urbanos até pequenos municípios e novos destinos turísticos.
O Brasil possui um enorme potencial turístico. Mas esse potencial depende de pessoas preparadas para receber bem os visitantes, administrar empresas, produzir alimentos e bebidas com qualidade, organizar eventos, conduzir atividades de lazer e oferecer serviços cada vez melhores.
Investir na qualificação profissional significa investir no trabalhador, nas empresas e no desenvolvimento econômico do país. Com milhões de empregos e uma atividade em expansão, o turismo precisa de uma estrutura nacional de formação compatível com seu tamanho.
A criação do SENATUR – Serviço Nacional de Aprendizagem do Turismo, por meio da aprovação do Congresso Nacional e do Poder Executivo Federal, representa, na visão de seus defensores, uma oportunidade para transformar a qualificação profissional em uma política permanente e estratégica para o Brasil.
O desafio agora é levar o debate ao Congresso Nacional e ao Governo Federal. A questão central é simples: se o turismo cresce e gera milhões de empregos, o Brasil precisa criar condições para formar, capacitar e aperfeiçoar os profissionais que fazem esse setor funcionar.
Fontes dos dados: Ministério do Turismo (MTur), Relação Anual de Informações Sociais (RAIS/MTE), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE/PNAD Contínua) e metas oficiais de qualificação profissional do Ministério do Turismo.

Um comentário:
Quem conhece seu trabalho,valoriza com respeito, pois têm dedicação no que faz.
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